[Precisamos falar sobre...] A Menina Submersa

Não sei muito bem como começar falando sobre esse livro. É um livro denso, difícil, poético, e muito, muito bom. Uma história crua sobre uma garota que se desnuda durante a narrativa. É um livro dentro de um livro.
India Morgan Phelps, ou simplesmente Imp, é nossa protagonista, e narradora do livro. Imp é esquizofrênica, doença que também atingiu sua avó e sua mãe. Imp trata isso como “a maldição da família Phelps”.
Pode parecer estranho para alguns, mas é comum que pessoas que possuam algum tipo de comprometimento mental tenham consciência sobre isso. Já tive contato com pessoas com diferentes tipos e níveis de psicopatologias, e muitas delas sabem sobre sua doença e tentam lidar da melhor possível com elas. Imp é assim. Ela sabe que é esquizofrênica e nos avisa desde o primeiro instante que talvez não possamos confiar nela.
Mas acontece, Imp, que você é a nossa única fonte aqui nesse livro, e não importa o que esteja escrito, sabemos que é real. Para Imp é real, então para os leitores, há de ser real também. Afinal, nem sabemos direito o que é realidade. Mas para Imp, aquilo é verdade.
Em A Menina Submersa, mergulhamos na mente de Imp e nos seus fantasmas, reais ou não. Vamos conhecer Abalyn, de longe uma das personagens mais reais de todos os livros que já li. Namorada de Imp, ela é alternativa, inteligente e muito carismática.
Abalyn, para mim, foi aquela personagem na qual a gente poderia se amparar quando a história parecia confusa demais. Ela foi um porto seguro, tanto pra mim como leitora, quanto pra Imp. Jamais esquecerei do momento em que Abalyn ampara Imp em um dos momentos mais tensos do livro, a crise de Imp, escrita com maestria pela Caitilin Kiernan.
Se, de um lado, temos Abalyn, crua, autêntica, existindo de fato no mundo real, do outro temos Eva Canning, nua, real ou não, existindo no mundo real ou apenas nos pensamentos de Imp.
Eva Canning é a alma do livro, o ponto chave da história. Uma mulher, uma sereia, um lobo. Real, imaginada. Um produto da mente inquieta de Imp, uma mulher real com uma vida real. Tudo é possível, todas as possibilidades podem ser aceitas, e isso é genial. Caitlin Kiernan nos entregou uma obra magistral.
Mesmo depois de ter lido o livro, ainda não sei dizer o que ou quem Eva Canning é. E, na verdade, nem pretendo.
O que eu gostei mesmo é que mergulhamos na cabeça de Imp e lidamos com todos os símbolos que ela nos traz, tentamos entender os significados que ela atribui às obras que tanto mexem com ela.
Por falar em obras, Imp faz alusão à muitas obras legais durante a sua história, indo dos contos de fadas dos Irmãos Grimm e Perrault à autores mais contemporâneos, como Lewis Carrol. Infelizmente, o quadro A Menina Submersa, de Saltonstall, que enfeitiça Imp fazendo com que ela dê esse nome à sua história, não existe de verdade, foi criado apenas para esse livro. Temos menções ainda à lugares reais, como Aokigahara, floresta japonesa conhecida por ser um local onde as pessoas vão para se suicidar.
Por tudo isso é que Imp parece ser uma pessoa que poderíamos conhecer e até bater um papo. Com suas fantasias, suas histórias, seus contos, suas pinturas, Imp é esquizofrênica sim, mas ela não é apenas isso, não é uma mulher reduzida a um diagnóstico. Ela tem um universo incrível dentro de si, e nos dá a oportunidade única de conhecê-lo.
Eu me arrisquei a conhecer o universo da Imp, e não me arrependo. Vocês já se arriscaram? Vão arriscar?

A Menina Submersa, de Caitlin R Kiernan
Editora: Darkside Books

[Frases & Citações] A Menina Submersa

“Nenhuma história tem começo e nenhuma história tem fim. Começos e fins podem ser entendidos como algo que serve a um propósito, a uma intenção momentânea e provisória, mas são, em sua natureza fundamental, arbitrários e existem apenas como uma ideia conveniente na mente humana. As vidas são confusas e, quando começamos a relacioná-las, ou relacionar partes delas, não podemos mais discernir os momentos preciosos e objetivos de quando certo evento começou. Todos os começos são arbitrários.”

“Algumas vezes, pessoas assombradas chegam a um ponto no qual conseguem afastar os fantasmas ou os fantasmas as destroem. O que piora tudo isso é que tentar arrastar os fantasmas para longe e fechá-los com força onde eles não podem mais nos machucar não costuma funcionar. Acho que nós apenas os espalhamos quando tentamos fazer isso. Você faz uma cópia ou transmite uma parte infinitesimal do fantasma, mas a maior parte fica entrincheirada de modo tão profundo em sua mente que nunca vai a parte alguma.”

“Não acredito em pecado, nem no original nem no outro, mas acredito que as pessoas fazem mal a outras e que imaginar que isso pode ser diferente é apenas pedir para se decepcionar.”

“Ninguém nunca dissera que você tinha de estar morto e enterrado para ser um fantasma Ou, se alguém disse, estava errado. As pessoas que acreditavam nisso provavelmente nunca foram assombradas. Ou somente tiveram uma experiência muito limitada com fantasmas, por isso simplesmente não sabem de nada.”

“Gente morta, ideias mortas e supostamente momentos mortos nunca estão mortos de verdade e eles moldam cada momento de nossas vidas. Nós os ignoramos e isso os torna poderosos.”

“(...)algumas vezes usamos clichês porque não há palavras melhores. Tanto faz.”

“As vidas não se desenvolvem em roteiros ordenados e o pior tipo de artifício é insistir que as histórias que contamos, para nós mesmos e uns para os outros devem ser forçadas a se conformar ao roteiro, narrativas lineares de A a Z, três atos, os ditamos de Aristóteles, ação elevada e clímax e ação decadente e, em especial, o artifício da resolução. Não vejo muita resolução no mundo; nascemos, vivemos e morremos, e no fim disso há somente uma confusão feia de negócios inacabados.”


“Quero ouvir o meu eu real, não o eu falso, inconstante, cujos pensamentos verdadeiros estão todos confinados e escondidos em uma mala debaixo da minha cama onde ninguém poderia ser atingido por frases tão afiadas quanto navalhas.”

Tag Literária

Essa é a tag #booknerdqanda que respondi lá no Instagram e aproveito pra fazer um post sobre a tag aqui também! É bem legal.
Vamos lá?

1.Gênero Favorito: Fantasia.

2.Janny Han ou Stephenie Perkins: ainda não li nenhuma das duas, mas tenho livros delas baixados pra mudar essa realidade em breve.

3.Leitura de verão favorita: A Última Música, do Nicholas Sparks.

4.Local favorito nos livros: Hogwarts;

5.Personagem com quem mais se identifica: Miss Acácia, ela já é desastrada usando óculos, quando não usa então.. 


6.Bad Boy ou Fun Boy: aquela mistura legal né.

7.Preciso ler: qualquer coisa da Maggie Stiefvater.

8.Casar, beijar, matar: casar e beijar é difícil escolher, haha, mas matar com certeza é o Peter, da série Divergente.

Resenha - The Kiss of Deception

Título: The Kiss of Deception
Autora: Mary. E. Pearson
Editora: Darkside
Páginas: 406


Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? 


TOP 5 - Grandes garotas da literatura

O TOP 5 de hoje será dedicado às grandes garotas da literatura. Cada uma com suas peculiaridades, carregam um grande carinho por parte dos fãs por conta de seus grandes feitos em suas histórias.
Vamos lá?

Resenha - Serraria Baixo-Astral

Título: Serraria Baixo-Astral
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Páginas: 184
Sinopse: Na opinião de Lemony Snicket, ´de todos os volumes que contam a vida infeliz dos órfãos Baudelaire, Serraria baixo-astral talvez seja o mais triste até agora´. Alto-Astral é o nome da serraria que serve de cenário para as novas calamidades que Klaus, Violet e Sunny serão obrigados a viver. Eis a chamada ´ironia do destino´, pois ali, no meio daquelas árvores derrubadas, daquelas enormes toras de madeira, o que as três crianças vão encontrar é mais uma coleção de coisas horripilantes, tais como uma gigantesca pinça mecânica, bifes do tipo sola de sapato, uma hipnotizadora, um dramático acidente que causará ferimentos e um homem com uma nuvem de fumaça no lugar da cabeça. A vida dos Baudelaire é mesmo muito diferente da vida da maioria das pessoas, ´a diferença principal estando no grau de infelicidade, horror e desespero´...
Diante desse quadro, algum leitor desavisado pode desconfiar: ´Como é que alguém vai se divertir com um livro desses, se as personagens não param de sofrer?!´. A pergunta faz sentido, mas é justamente aí que descobrimos um dos melhores segredos de Lemony Snicket, pseudônimo do americano Daniel Handler. Ele leva o exagero às raias do absurdo, faz o realismo perder feio para o mais deslavado faz-de-conta e o resultado não poderia ser outro: uma brincadeira literária incessantemente bem-humorada.

Resenha - O Lago das Sanguessugas

Título: O Lago das Sanguessugas
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte,
Páginas: 192
Sinopse: O misterioso autor das Desventuras em Série não só alcançou a lista de best-sellers infanto-juvenis do New York Times, como conseguiu entrar em todas as outras principais referências de vendagem americanas. Com sua estranha franqueza, na contracapa deste livro ele manda um recado a seus possíveis leitores: 'Se você ainda não leu nada sobre os órfãos Baudelaire, é preciso que antes mesmo de começar a primeira frase deste livro fique sabendo o seguinte: Violet, Klaus e Sunny são legais e superinteligentes, mas a vida deles, lamento dizer, está repleta de má sorte e infelicidade. Todas as histórias sobre essas três crianças são uma tristeza e uma verdadeira desgraça, e a que você tem nas mãos talvez seja a pior de todas. Se você não tem estômago para engolir uma história que inclui um furacão, uma invenção para sinalizar pedidos de socorro, sanguessugas famintas, caldo frio de pepinos, um horrendo vilão e uma boneca chamada Perfeita Fortuna, é provável que se desespere ao ler este livro. Continuarei a registrar essas histórias trágicas, pois é o que sei fazer. Cabe a você, no entanto, decidir se verdadeiramente será capaz de suportar esta história de horrores'. Respeitosamente. 
Lemony Snicket.

Resenha - A Sala dos Répteis

Título: A Sala dos Répteis
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Páginas: 208
Sinopse: Lemony Snicket é um autor que não pode ser acusado de falta de franqueza. Sabe que nem todo mundo suporta as tristezas que ele conta e por isso - para que depois ninguém reclame - faz questão de avisar: 'Se você esperava encontrar uma história tranqüila e alegre, lamento dizer que escolheu o livro errado. A história pode parecer animadora no início, quando os meninos Baudelaire passam o tempo em companhia de alguns répteis interessantes e de um tio alto-astral, mas não se deixem enganar...'. Os Baudelaire têm mesmo uma incrível má sorte, mas pode-se afirmar que a vida deles seria bem mais fácil se não tivessem de enfrentar o tempo todo as armadilhas de seu arquiinimigo: o conde Olaf, um homem revoltante, gosmento e pérfido. Em 'Mau Começo' ele deu uma pequena amostra do que é capaz de fazer para infernizar a vida de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire - e aqui as coisas só pioram.


Resenha - Mau Começo

Livro: Mau Começo
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Páginas: 152
Sinopse: 'Mau começo' é o primeiro volume de uma série em que Lemony Snicket conta as desventuras dos irmãos Baudelaire. Violet, Klaus e Sunny são encantadores e inteligentes, mas ocupam o primeiro lugar na classificação das pessoas mais infelizes do mundo. De fato, a infelicidade segue os seus passos desde a primeira página, quando eles estão na praia e recebem uma trágica notícia. Esses ímãs que atraem desgraças terão de enfrentar, por exemplo, roupas que pinicam o corpo, um gosmento vilão dominado pela cobiça, um incêndio calamitoso e mingau frio no café da manhã. É por isso que, logo na quarta capa, Snicket avisa ao leitor: 'Não há nada que o impeça de fechar o livro imediatamente e sair para uma outra leitura sobre coisas felizes, se é isso que você prefere'.


Resenha - Caixa de Pássaros

Livro: Caixa de Pássaros
Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler.
Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.


Leituras de Outubro

Nesse mês, li um total de seis livros, um a menos do que o mês passado. Mas, em compensação, esse mês foi muito mais produtivo, com leituras melhores, mais fluidas e com histórias mais bem construídas. Esses foram os livros lidos:

Joyland - Stephen King

Tem resenha desse livro aqui no blog, onde eu conto tudo o que achei do livro. Estou tentando entrar um pouco no universo do King, por isso optei por essa leitura, e não me arrependi. O livro começa num ritmo bem lento, mas quando mostra a que veio, a leitura flui rapidamente. A escrita do King nas últimas páginas do livro, quando acontece a resolução, é fantástica, e eu terminei esse livro encantada com o autor e querendo ler mais obras dele.