[Precisamos falar sobre...] Pequenas Grandes Mentiras e a Violência Doméstica

Livro: Pequenas Grandes Mentiras
Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrinseca
Páginas: 400
Sinopse: Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de Pequenas grandes mentiras, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o novo romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.







A ideia de escrever sobre essa tema, me veio durante a leitura do livro “Pequenas Grandes Mentiras”, da autora Liane Moriarty.
Na trama, que intercala a história de três mulheres diferentes, uma delas é vítima de violência doméstica, e dizer qual delas é seria contar um spoiler. O livro é denso e aborda outras temas também, como bulliyng, dinâmica familiar e traumas. Mas quero me ater à violência doméstica, pois, como mulher, não consegui ficar alheia enquanto lia a história de uma dessas mulheres.
A violência doméstica ocorre dentro do ambiente familiar, e pode ser causada por pessoas que possuem parentesco civil ou natural.

“Isso pode acontecer com qualquer um”

É importante ressaltar esse ponto. Qualquer um pode passar por isso. Homens podem passar por isso. Crianças, idosos, gays, trans, heteros. Independe de raça, gênero, idade. Pode acontecer com qualquer um.
Mas é impossível discutir violência doméstica sem discutir o sexo da vítima. Impossível fechar os olhos para a diferença gritante da ocorrência entre homens e mulheres. A Lei Maria da Penha define cinco formas de violência doméstica, sendo elas: psicológica, física, sexual, patrimonial e moral.
Ainda assim, frases que culpabilizam a vítima ainda podem ser ditas, de maneira escancarada ou velada:

“O que você fez pra ele te bater?”
“Porque não denunciou antes?”

Sim, apesar de tudo, a culpa ainda é da vítima.
No livro da Liane, temos a oportunidade de ver a história pelo ponto de vista da vítima. As desculpas que a vítima diz para si mesma, o quanto ela acha que tudo pode melhorar, que aquilo vai passar. É um ciclo interminável e, por mais que a vítima reconheça isso, não é fácil sair desse ciclo. Existe uma vida construída ao lado daquela pessoa, existem filhos, e as desculpas para permanecer nesse ciclo parecem intermináveis.
Então, cabe aqui o seguinte ponto: a violência doméstica é uma questão puramente do casal? Ou também é uma questão cultural?
Para mim, a cada vez que dizemos coisas como: “ela tinha um amante, o que ela queria?”, “ela resolveu se envolver com um malandro, esperava o que?” somos responsáveis por isso também.
Infelizmente, é uma cultura fincada a anos que faz com que o silêncio seja a ordem máximo em casos assim. O silêncio da vítima, que muitas vezes tem medo de ser julgada, veja só, pela sociedade, porque sim, nós somos ótimos julgadores do sofrimento alheio; do agressor; e também o silêncio de quem presencia aquilo e acaba se tornando conivente, mesmo que essa não seja sua intenção. Acredito que é difícil para todos os envolvidos. E, podem me julgar, mas acredito que, em alguns casos, seja difícil para o próprio agressor. Ninguém é tão culpado que não tenha sua quota de sofrimento pregresso, salvo em casos de psicopatia em que a pessoa realmente não sente absolutamente nada. Veja bem, não estou dizendo que isso justifica o ato de violência, mas apenas alertando de que, em alguns casos, o agressor também precisa ser cuidado, seja na cadeia, em terapia, ou em alguma outra instância. É essa falta de cuidado que faz com que julguemos a tudo e a todos, e criemos um ciclo de vítimas e agressores, pela falta de compaixão e humanidade.
Mas, bem, não quero entrar nesse mérito e nem é essa a questão do texto que decidi escrever. A questão é o quão realmente refletimos sobre isso? Vemos um caso de violência doméstica contra alguma mulher, achamos horrível, é visceral porque somos mulheres, eu sou mulher, e a gente sabe da violência que sofremos a cada dia com cantadas, olhares que parecem nos despir e palavras atiradas que nos fazem sentir vergonha de um peito ou uma bunda simplesmente porque um cara decidiu falar palavras lascivas contra nosso corpo. Sentimos vergonha de ter um corpo, porque nosso corpo é sujeito a olhares maldosos a cada vez que vamos na padaria aqui do lado ou a uma festa com um short mas curto. Vemos um caso de violência doméstica na televisão e sentimos e choramos e nos simpatizamos, mas depois olhamos para nossos pais perfeitos, nossos filhos perfeitos, nossos namorados e maridos perfeitos, e vamos para a nossa cama perfeita, e então?
Uma das cenas do livro, logo após a morte de um determinado personagem, me comoveu muito. Mulheres que, silenciosamente, superaram todas as suas desavenças e se uniram porque todas sentiram na pele, em níveis diferentes, o que é essa violênca doméstica. Uma traição aqui, uma porrada ali, palavras grotescas sussurradas durante o ato sexual (estupro?), e todas elas fizeram um pacto silencioso de proteger uma pessoa, porque todas elas sabiam do que se tratava.
Então, acho que a principal questão é: erá que temos que sentir na pele para fazer alguma coisa?

Pra quem gostou do texto ou se interessa pelo tema, deixo aqui alguns sites que tratam melhor do assunto e trazem alguns dados:




 

2 comentários:

  1. Olá Leitora voraz!!!
    Adorei seu blog ♡ E amei está resenha . Sempre vi muitos comentarrios sobre ele , mas após ler sua resenha acho que finalmente virei dar uma chance para ele .

    Beijos, Ana .
    www.coracoesdequimera2.blogspot.com

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    1. Obrigada <3
      Esse livro é realmente muito bom, foi meu primeiro contato com a autora e eu simplesmente adorei. Ela aborda temas bem interessantes
      Beijos

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