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11/10/2017

[Resenha] O Poço da Ascenção

07:52 3 Comments
Título: O Poço da Ascensão (Mistborn: Nascidos da Bruma #2)
Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas: 720
🌟🌟🌟🌟🌟+💓
Sinopse: "A queda do Império Final trouxe a esperança. E despertou mistérios assustadores.
Numa sucessão de golpes de sorte, Elend Venture subiu ao trono de Luthadel, a principal cidade do Império Final. Nos meses que seguiram a queda do Senhor Soberano e a dissolução de seu governo, o novo rei revolucionou as relações entre os skaa – a classe social mais baixa – e os nobres, atraindo a atenção dos diversos governantes das outras partes do grande império. 
Dentro das muralhas de Luthadel, o perigo espreita de todos os lados. Assassinos de aluguel alomânticos ameaçam a vida do rei, a desconfiança generalizada faz a população temer pelos rumos da cidade e desejar o retorno do Senhor Soberano, e um inverno inclemente se aproxima. Elend, Vin e o bando de Kelsier tentam manter o controle a todo custo, mas os piores inimigos ainda estão por vir. 
Fora das muralhas, arma-se um cerco militar gigantesco. À frente dele, Straff Venture, o pai de Elend, um tirano cruel e desesperado pelo poder, busca invadir Luthadel. E ele não está sozinho. 
Reviravoltas e surpresas marcam este segundo volume da trilogia Mistborn - Nascidos da Bruma. O destino de todo o Império Final está envolto nas brumas, e apenas uma força sobrenatural será capaz de desvendar os mistérios que assolam seus habitantes."

RESENHA:
O Império Final caiu. 
O Senhor Soberano está morto. Morreu pelas mãos de Vin.
Kelsier também está morto. Pelas mãos do Senhor Soberano.

Após os acontecimentos de O Império Final, a cidade de Luthadel está agora nas mãos do bando de Kelsier e do jovem Elend Venture, que acaba se tornando seu líder.
Aparentemente, tudo dando certo. Aparentemente.
Nesse livro, vemos o quão difícil é manter uma cidade conquistada. Por isso, o segundo volume de Mistborn é essencialmente político. O início pode ser um pouco arrastado, o ritmo talvez seja mais lento, mas a história não fica comprometida, muito pelo contrário. Tudo que acontece aqui é extremamente importante.

Elend é um bom homem, todos concordam. Mas ficar às voltas com seus livros talvez não seja o melhor método para manter uma cidade como Luthadel. O jovem Venture ainda precisa aprender muito, e isso é a situação ideal para duas coisas importantes na história: o desenvolvimento desse personagem e a introdução da personagem Tindwyl.
Se no primeiro livro, Elend funcionava apenas como o par de romântico de Vin, nesse livro ele dá um salto enorme, se mostra muito mais do que isso. Com todo seu idealismo, Elend tenta criar uma sociedade igualitária, onde todos os cidadãos tenham voz através de uma Assembleia, sem mais divisões entre nobres e skaa. Mas isso é uma utopia. Não pode funcionar tão bem assim.
É aqui que entra Tindwyl, uma Guardadora de Terris. Diferente de Sazed, especialista em religiões, Tindwyl é detentora de conhecimentos sobre grandes líderes e política. Ela vem a Luthadel com o objetivo principal de aconselhar Elend sobre seu governo.
A interação entre os dois é muito boa. É um ponto importante para o crescimento de Elend como personagem, onde ele caminha para um iminente protagonismo.
Tindwyl, por outro lado, vai muito além de uma personagem introduzida apenas em função de Elend. Como Guardadores, ela e Sazed acabam desenvolvendo um relacionamento e uma trama à parte, que, além de ser muito bonito, é também muito importante para a história. Afinal, eles dois tentam desvendar textos antigos e unir todo o conhecimento acerca do Herói das Eras.

E ainda temos Vin, agora sem seu mentor Kelsier, que começa a descobrir sozinha quais são os limites de seus poderes como Nascida da Bruma. Ah, tanto a se falar sobre Vin nesse livro. Ela desenvolve dois relacionamentos novos e intrigantes nesse livro. Com o kandra OreSeur, antigo kandra de Kelsier, e que agora serve a Vin. Um relacionamento com muita tensão, mas muito importante. Entendemos mais sobre os kandras e como eles se encaixam em toda a história.  O outro relacionamento dá-se com Zane, o Nascido da Bruma de Straff Venture. Sendo o único Nascido da Bruma além de Vin, ele acaba exercendo um certo fascínio sobre ela.

Straffe Venture, pai de Elend, quer tomar Luthadel. Com todas as tensões e instabilidade política, Luthadel acaba tornando-se um alvo. Além do exército de Straff, há também mais dois exércitos promovendo um cerco: Ashweather Cett, interessado nas riquezas que Luthadel pode proporcionar; e também um antigo amigo de Elend, Jastes Lekal, que comanda um grande exército de Koloss, criaturas que podem alcançar até 4 metros de altura, com a pele azul e grotesca, e extremamente violentas. De alguma forma, os Koloss parecem seguir as ordens de Jastes.

Com toda essa tensão, Vin, Elend e cia precisam equilibrar suas questões pessoais com algo maior, algo que o Sobrevivente tanto lutou para conseguir, e que eles precisam manter. Principalmente Vin e Elend, com todas as suas questões acerca de seu relacionamento. Alguns parecem ter achado isso exagerado, mas eu achei importante, não apenas para os dois como um casal, mas também para seu crescimento individual.
Em meio a politicagem e segredos, Sanderson ainda consegue abordar assuntos importantes, sendo a religião, que já era tema no primeiro livro, um dos destaques. Com a morte planejada de Kelsier, uma nova religião surge em torno do mesmo. Incrível ler o surgimento de algo tão complexo, e Sanderson constrói muito bem esse aspecto de sua história.

Uma última questão, e não menos importante, é ficar atento aos momentos de Marsh. Agora um Inquisidor, há uma grande diferença em seu jeito de agir, e ele é o personagem que nos dá dicas de que algo maior está por vir, ainda que ele não apareça tanto.

O Poço da Ascensão é uma ótima continuação. Sendo Mistborn uma trilogia, é sabido que muitos livros intermediários de trilogias acabam sendo mais lentos. É difícil equilibrar um segundo livro, ele não é introdutório e tampouco é o final. Mas O Poço da Ascensão possui uma história própria, não é apenas um livro de ligação, embora também funcione assim. O início pode ser lento, mas na metade final o ritmo aumenta e o final é alucinante e cheio de surpresas, deixando uma gama enorme de coisas a serem resolvidas e reveladas no capítulo final. Mais uma vez, Sanderson não tem pena em tirar de nós personagens que aprendemos a gostar, então esteja pronto pra isso.


10/10/2017

[Cinco Motivos Para Ler] Extraordinário

05:25 1 Comments
Livro: Extraordinário
Autora: R.J. Palacio
Editora: Intrínseca
Sinopse:  “Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo” August Pullman (Extraordinário)

Não julgue um menino pela cara

Não existe nome mais adequado para este livro: “Extraordinário”. De leitura dinâmica, prazerosa e envolvente, “Extraordinário” conta a história de August Pullman, o Auggie, uma criança que nasceu com uma séria síndrome genética que o deixou com deformidades faciais, fazendo com que ele passasse por diversas cirurgias e complicações médicas ao longo dos seus poucos anos de vida. Auggie foi educado em casa até os 10 anos, quando começou a frequentar o quinto ano em uma escola de verdade. Ser o aluno novo não é fácil, mas com um rosto tão diferente pode ser ainda mais difícil! Auggie vai ter que convencer seus colegas do colégio particular de Nova York que, apesar de sua aparência diferente, ele é um menino igual a todos os outros.

Em comemoração ao mês das crianças, estou preparando alguns posts indicando livros com protagonistas crianças.
Acho que seria difícil iniciar essa série de posts sem ser com Extraordinário. Se eu pudesse descrever esse livro com uma palavra, seria com a palavra que lhe dá nome.
Então, vou listar aqui cinco motivos pelos quais eu indico esse livro extraordinário:

1 - O texto da autora é claro, de fácil entendimento e com capítulos curtos. É muito fácil se adaptar ao ritmo de leitura exigido por Extraordinário. A autora consegue abordar assuntos importantes, não apenas no universo infantil, mas na vida de qualquer ser humano com seriedade e leveza.

2 - A narrativa é através do ponto de vista de Auggie, principalmente, mesmo que alguns outros personagens também tenham seus capítulos. Auggie é um narrador doce, gentil, inteligente e muito perceptivo. Ler um livro narrado por uma criança é algo único, pois a visão que elas têm da vida, ainda sem todas as nuances e pré-conceitos de um adulto, é de uma sabedoria pura e simples, mas ainda assim, grandiosa. Um personagem como Auggie, que poderia facilmente render-se a uma tristeza profunda, cativa e nos ensina lições valiosas.

3 - A diversidade dos personagens, cada um com suas próprias questões, faz com que seja inevitável não se identificar com algum (s). Desde a família até os amigos do protagonista, todos tem um pouco de destaque. É muito bom poder perceber o impacto que Auggie provoca em cada um deles, mas também como as vidas dessas pessoas não gira apenas em torno disso. Sim, é difícil ter um filho, irmão ou amigo como Auggie, se for olhar apenas na superfície disso. Mas, se aprofundar, poderá entender a maravilha disso e que a vida de todos eles é muito mais.

4 - Os quotes, sério. Cada um melhor que o outro. Se você é um leitor que gosta de tirar frases inspiradoras de livros, Extraordinário com certeza é uma boa indicação.

5 - O livro é um convite à gentileza. A cada página, uma lição importante; a cada situação, há algo valioso a ser aprendido. Pode parecer clichê, e acho que é mesmo, mas é um clichê fascinante e emocionante. É uma história linda que inspira diversas emoções e valores importantes, como coragem, bondade, o amor ao outro, a gentileza, o se despir de preconceitos...

22/09/2017

[Resenha] O Império Final

08:18 10 Comments
Título: O Império Final (Mistborn: Nascidos da Bruma #1)
Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas: 608
🌟🌟🌟🌟🌟+💓
Sinopse: "O que acontece se o herói da profecia falhar? Descubra em Mistborn! Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou. Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente. Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa – classe social inferior –, Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma – uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kel vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes."


RESENHA:

"Às vezes, me preocupo em não ser o herói que todos acham que sou.
Os filósofos me asseguram que este é o momento, que os sinais foram cumpridos. Mas ainda me pergunto se não pegaram o homem errado. Tantas pessoas dependem de mim. Dizem que tenho o futuro do mundo inteiro nas mãos.
O que pensariam se soubessem que o seu campeão - o Herói das Eras, seu salvador - duvidou de si mesmo? Talvez não ficassem nem um pouco surpresos. De certo modo, é isso que mais me preocupa. Talvez, em seus corações, eles duvidem - assim como eu.
Quando me olham, veem um mentiroso?"

Há mil anos atrás, um herói apareceu para salvar o mundo.
Mas ele falhou.
Desde então, o mundo é rodeado por brumas, e governado por um único e tirano imperador, O Senhor Soberano.

Numa sociedade dividida entre nobres e skaas (classe social inferior), todas as rebeliões e tentativas de derrubar O Senhor Soberano e seu Império Final falharam miseravelmente, suprimidas com facilidade.

É nesse contexto que Kelsier, um habilidoso ladrão e único sobrevivente da prisão brutal do Senhor Soberano (as Minas de Hatshin), planeja a derrocada do Império Final, num plano ousado que não depende apenas dele, mas de vários outros integrantes de sua gangue e também de uma jovem garota de rua, Vin.

O Império Final é um ótimo livro introdutório. Brandon Sanderson, além de ter uma escrita fácil, acertou em cheio na sua construção de mundo. Talvez esse seja o ponto alto de Mistborn. Embora existam muitos detalhes, Sanderson constrói sua história de tal forma que fica muito simples para o leitor entender; ele fornece informações aos poucos, de modo que o leitor pode ir apreendendo a forma de funcionamento desse universo sem se sentir sobrecarregado. Eu, por exemplo, estou no começo do segundo livro e já nas primeiras cem páginas, já há uma expansão do universo. Como a introdução foi muito bem feita, está sendo tranquilo acompanhar essa expansão sem me perder.

A estrutura social e política da série também é um ponto forte. Entre nobres, skaa, obrigadores e Inquisidores, o leitor vai se habituando e entendendo o funcionamento de cada uma das classes e como elas interferem na história.

A cereja do bolo fica por conta do sistema de magia. Após ler o primeiro livro e pesquisar algumas coisas, vi que Sanderson concedeu algumas entrevistas falando sobre como a magia precisa de regras, ou corre o risco de tornar-se uma espécie de Ex-machina. Em Mistborn, a alomancia é a principal magia utilizada. Ela consiste basicamente em "queimar" metais existentes no organismo, sendo que cada um deles manifesta um poder diferente. Inicialmente, somos apresentados a oito tipos de metais diferentes. Uma pessoa que pode queimar apenas um metal é conhecida como Brumoso, enquanto as raras pessoas que podem queimar todos os tipos são os Nascidos da Bruma, como Kelsier e Vin.

Há também a feruquemia, um outro tipo de magia, com suas próprias regras, e que não é tão aprofundada nesse primeiro livro, mas acredito que será no segundo. O personagem que nos apresenta essa magia é Sazed. Eu, particularmente, achei a feruquemia muito mais fascinante e espero poder ver mais sobre ela nas sequencias.
Aliás, Sazed e seu profundo conhecimento religioso foi um show a parte nesse livro. Isso é muito bacana. Sanderson consegue pincelar luta entre classes, opressão, debates religiosos e filosóficos através de uma história fantástica e bem escrita.


Nessa empreitada para derrubar o Senhor Soberano, em que vemos esse universo ser construído aos poucos e tomando forma, não se pode deixar de lado a gama de personagens carismáticos que temos aqui. A história é contada basicamente pelo ponto de vista de Kelsier e Vin, e essa alternância traz um tom muito legal. Por um lado, Kelsier é experiente no uso da alomancia, tem um passado doloroso, mas está sempre oferecendo sorrisos. Há mais em Kelsier do que vemos inicialmente, e a forma como ele orquestra seus planos traz alguma segurança para seus amigos e para nós, leitores, mas sempre há a sensação de que há a algo a mais.

“Tramas por trás de tramas, planos além de planos. Sempre havia outro segredo.”

Por outro lado, temos Vin, uma garota de rua que mal compreende seus próprios poderes e tem seus próprios demônios internos para lidar. A voz do irmão sussurra o tempo inteiro em seu ouvido, incitando Vin a não confiar em ninguém, afinal ela foi abandonada por todos, inclusive por ele. É junto com Vin que vamos aprendendo mais sobre alomancia, à medida que a própria começa a aprender com Kelsier, e começa também a confiar um pouco nas pessoas ao redor.

"E Vin gostava da solidão. Quando se está sozinho, ninguém pode te trair.' Palavras de Reen. Seu irmão lhe ensinara tantas coisas, e reforçara seus ensinamentos fazendo o que sempre prometera que faria - traindo-a ele mesmo. É a única maneira de você aprender. 'Qualquer um pode te trair, Vin. Qualquer um.'"

Uma história não se sustenta apenas com seus protagonistas, e Sanderson sabe disso. Os personagens secundários são tão interessantes quanto os protagonistas, particularmente Sazed, que demonstrou ter muito mais aspectos que podem ser explorador. Brisa e Ham, tão diferentes entre si, mas que se complementam muito bem na gangue; Trevo, sempre encantadoramente carrancudo; até mesmo o jovem Fantasma tem lá seu charme na história. Os diálogos e momentos em que a gangue está reunida tem muita coesão, e é fácil se encantar por eles.

Temos ainda Elend Venture, um rapaz da nobreza, que acaba conhecendo Vin enquanto ela interpreta sua parte no plano se infiltrando em bailes e conhecendo as intrigas que permeiam as cortes e as Grandes Casas de Luthadel. Gosto da interação entre Vin e Elend, há uma quebra de ritmo na narrativa nos diálogos e momentos entre os dois; uma quebra bem vinda, ao meu ver, e necessária também. Afinal, é aqui que conhecemos mais profundamente a nobreza e como funcionam seus jogos políticos.

O Império Final é um livro que te conquista nas primeiras linhas, e consegue ficar ainda melhor à medida que a história cresce. Sanderson vai construindo uma crescente tensão, que explode nos momentos finais. Ele não tem piedade quanto aos personagens, então prepare-se. Toda a sequencia final é alucinante, e o medo e a tensão nos fazem crer que qualquer coisa pode acontecer. Mesmo após o final, algumas incógnitas permanecem. Não diria que são pontas soltas, O Império Final fecha seu próprio ciclo. Mas há algo sob a superfície, algo que inquieta o leitor atento, que sabe que aquele ainda não é o gran finale.

[Quotes] Minha Querida Sputnik

04:00 0 Comments
 Minha Querida Sputnik conta a história de Sumire, uma jovem de 22 anos que se apaixona pela primeira vez. Uma paixão avassaladora que tem como alvo Miu, uma mulher casada e 17 anos mais velha. Mas, enquanto Miu é uma mulher glamourosa e bem-sucedida negociante de vinhos, Sumire é uma aspirante a escritora que se veste e se comporta como um personagem de Jack Kerouc mas que, em nome do desejo, é obrigada a dar outro rumo a sua trajetória.
Abaixo, alguns quotes do livro:

"(...) as coisas inúteis também não têm um lugar neste mundo longe de ser perfeito? Retire tudo que é fútil de uma vida imperfeita e ela perderá, até mesmo, sua imperfeição."

- Página 8.

"Nenhum homem deve passar pela vida sem experimentar uma vez a saudável, ainda que entediante, solidão no ermo, dependendo exclusivamente de si mesmo e, assim, descobrindo a sua força oculta e verdadeira".
(Sumire citando Kerouac)
- Página 9.

"A partir desse dia, o nome particular de Sumire para Miu foi Querida Sputnik, Sumire adorou o som da expressão. Fazia com que pensasse em Laika, a cadela. O satélite feito pelo homem riscando a negritude do espaço sideral. Os olhos escuros, brilhantes, da cadela olhando fixo pela janela minúscula. Na solidão infinita do espaço, para o que a cadela poderia estar olhando?".

- Página 12.

"Devorar livros era tão natural para nós quanto respirar. Cada momento de folga, nos instalávamos em um canto quieto, virando páginas interminavelmente. Romances japoneses, romances estrangeiros, obras novas, clássicos, obras de vanguarda a best-sellers - contanto que houvesse algo intelectualmente estimulante em um livro, o líamos."
- Página 18.

"Devo estar apaixonada por essa mulher, Sumire percebeu com um susto. Não havia erro. O gelo é frio; as rosas são vermelhas; estou apaixonada. E este amor vai me levar a algum lugar. A corrente é poderosa demais; não tenho escolha. Pode muito bem ser um lugar especial, onde nunca estive antes. O perigo pode estar emboscado lá, algo que talvez acabe me ferindo profundamente, fatalmente. Posso acabar perdendo tudo. Mas não tem volta. Só me resta seguir a corrente. Mesmo que signifique ser consumida, desaparecer para sempre."

- Página 30.

"Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. A distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada."
- Página 132.

"O entendimento não passa da soma de nossos mal-entendidos".

- Página 148.

"Como eu disse antes, dentro de nós, o que sabemos e o que não sabemos moram na mesma casa. Em nome da conveniência, a maioria das pessoas ergue um muro entre eles. Isso torna a vida mais fácil. Mas eu acabo de derrubar esse muro. Eu tinha de derrubá-lo. Odeio muros. É assim que sou."
- Página 149.

"Nos sonhos, não precisamos fazer distinções entre as coisas. Em absoluto. As fronteiras não existem. Por isso quase nunca há colisões em sonhos. Mesmo quando há, não machucam. A realidade é diferente. A realidade morde.
Realidade, realidade."
- Página 150.

"Cada história tem um tempo para ser contada. Senão, você se torna prisioneira do segredo dentro de você."
- Página 158.

"Cada um de nós tem um quê especial que só podemos usufruir em um momento especial da nossa vida. Como uma pequena chama. Alguns poucos afortunados cuidam dessa chama, alimentam-na, segurando-a como uma tocha para iluminar seu caminho Mas, uma vez apagada, nunca mais se acende."
- Página 194.

"No exterior, nada está diferente. Mas alguma coisa no interior se extinguiu, desapareceu. Sangue foi derramado, e algo dentro de mim se foi. De cabeça baixa, sem uma palavra, esse algo saiu de cena. A porta abre; a porta fecha. As luzes se apagam. Este é o último dia da pessoa que sou agora. O último crepúsculo. Quando amanhecer, a pessoa que sou não estará mais aqui. Outro ocupará este corpo."

- Página 195.

"Porque as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que outros as satisfaçam, e contudo se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana?"
- Página 195.

"Fechei os olhos e prestei bastante atenção aos descendentes do Sputnik, mesmo agora circulando ao redor da terra, a gravidade seu único elo com o planeta. Almas solitárias de metal, na escuridão desobstruída do espaço, encontravam-se, passavam umas pelas outras e se separavam, nunca mais se encontrando. Nenhuma palavra entre elas. Nenhuma promessa a cumprir."
- Página 196.

"De modo que é assim que vivemos as nossas vidas. Não importa quão profunda e fatal seja a perda, o quão importante fosse o que nos roubaram - que foi arrebatado de nossas mãos - mesmo que mudemos comletamente, com somente a camada externa da pele igual à de antes, continuamos a representar as nossas vidas dessa maneira, em silêncio. Aproximamo-nos cada vez mais do fim da dimensão do tempo que nos foi estipulado, dando-lhe adeus enquanto vai minguando. Repetindo, quase sempre habilmente, as proezas sem fim do dia-a-dia. Deixando para trás uma sensação de vazio imensurável."
- Página 226.

19/09/2017

Projeto Leitura Fantástica

02:41 3 Comments


Hoje, vim falar de um projeto bem especial para vocês!

O projeto se destina a ler livros do gênero ficção, principalmente fantasia, mas incluindo também Sci-Fi, distopia e afins. O objetivo é que possa haver interação entre os leitores que apreciam tal gênero literário, de forma a promover discussões e estreitar laços dentro da comunidade leitora.
O projeto funcionará da seguinte maneira:
• As administradoras escolherão cinco livros dentro do tema previamente definido e uma votação no facebook será realizada para escolher o livro do mês;
• Se alguém já tiver lido o livro escolhido, pode optar por reler ou por apenas participar da discussão;
• A discussão do livro do mês terá início todo dia 30, podendo se estender até 3 dias e será livre para spoilers;
• Spoiler antes da discussão final será permitido somente em áudio e deverá ser avisado com antecedência no áudio.
• O período da discussão final será sinalizado com um emoji;
• Se você não conseguir cumprir o prazo de leitura, não tem problema, o projeto tem o intuito de ser divertido e não um peso na consciência.
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IMPORTANTE: A ideia desse grupo é ser grande, para cada vez mais alcançarmos pessoas com os gêneros que mais amamos. É difícil agradar todo mundo, por isso o grupo será maleável e cada um é livre para participar da leitura conjunta que quiser. Se houver algum mês que você esteja sem tempo ou o tema/livro definido não te atrai, você pode esperar pelo próximo mês sem nenhum problema. Apenas não nos abandone

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Temos um grupo no Whatsapp e no Facebook. Quem estiver interessado, pode falar aqui nos comentários, deixe seu número de Whatsapp ou fale comigo através do Instagram @leituravoraz que entrarei em contato.

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Leituras:

Setembro / Infanto Juvenil - Sete Minutos Depois da Meia Noite (Patrick Ness)
Outubro / Terror/Horror - Frankenstein (Mary Shelley
Novembro / Ficção Científica - A definir

16/09/2017

[Resenha] O Livro do Juízo Final

10:03 0 Comments
Livro: O Livro do Juízo Final
Autora: Connie Willis
Editora: Suma
Páginas: 576
🌟🌟🌟🌟🌟
Sinopse: "Em meados do século XXI, a jovem estudante Kivrin Engle se prepara para viajar no tempo. Ela pretende fazer um estudo de campo sobre uma das épocas mais sombrias da história da humanidade: a Idade Média. Em um primeiro momento, tudo parece ter corrido bem com a empreitada, e ela finalmente está no século XIV. O que Kivrin não sabe é que o técnico responsável pelo seu salto temporal, de volta para 2054, está terrivelmente doente. Seu retorno pode estar comprometido, e isso pode afetar todos os habitantes do Reino Unido. De 1300 a 2050, Connie Willis faz um trabalho magnífico na construção de personagens complexos, densos e pelos quais é impossível não sentir empatia. O livro do juízo final é ao mesmo tempo uma incrível reconstrução histórica e uma aula sobre o poder da amizade."



RESENHA:

No ano de 2054, a viagem no tempo já é uma realidade. A realização de saltos temporais é feita, principalmente, pelos historiadores que querem pesquisar e vivenciar melhor determinado período da história. As Grandes Guerras? A construção de algum grande monumento? É possível voltar para lá. Desde que o historiador esteja no local e horário designado para o retorno, ou ele ficará perdido no passado.

Kivrin, uma jovem historiadora, deseja voltar para a Idade Média e explorar essa época. Um de seus professores, o Sr. Dunworthy, é contra essa ideia. Além de ser um período perigoso por si só, a Idade Média pode ser ainda mais difícil para as mulheres. Mas Kivrin é obstinada em sua preparação. Aprende inglês médio, aprende a bordar, ordenhar e etc. Mesmo com Dunworthy contra, as coisas avançam rapidamente para que Kivrin realize seu salto, em meio a desavenças institucionais e a insegurança de Dunworthy.

A partir daí, os capítulos alternam entre Kivrin, no passado, e Dunworty, em 2054. Mesmo em períodos diferentes, algo semelhante acontece: Kivrin e Badri (técnico que operou o salto de Kivrin) caem doentes, cada qual em sua época. Antes de desmaiar, Badri diz a Dunworthy que algo deu errado no salto de Kivrin. Então, surge uma corrida contra o tempo para saber o que realmente está acontecendo com Badri. Kivrin pode ter sido exposta ao vírus antes do salto, mesmo tendo tomado todas as vacinas.
No passado, Kirin sabe que tem que marcar o local do salto, mas sente-se tão mal, com dores de cabeça e febre, que não consegue se concentrar e desmaia. Quando acorda, está em uma casa sendo cuidada por uma família.

Kivrin também precisa correr contra o tempo para descobrir exatamente onde é o local do salto para poder voltar ao presente no dia marcado, mas parece que tudo conspira contra. E, assim, ela vai tentando se adaptar à sua rotina como ama, enquanto tenta descobrir com Gawyn o local onde ele a achou desmaiada.

"Ela está a setecentos anos de casa, pensou Dunworthy, num século que desdenhava das mulheres a ponto de nem anotar seus nomes quando morriam."



Kivrin narra toda a sua história através de um gravador colocado em um osso de seu pulso, de forma que ela une as mãos fingindo rezar, quando na verdade, está usando o gravador. Lady Eliwys espera ansiosamente pelo marido, que está em outro vilarejo para um julgamento. Lady Imeyne, sogra de Eliwys, parece não ter nada melhor pra fazer além de imlicar com qualquer um, principalmente o Padre Roche. Agnes e Rosemund são as duas filhas de Eliwys, duas meninas cativantes que trouxeram uma certa leveza em alguns momentos, principalmente a pequena Agnes.

Enquanto isso, Dunworthy tenta descobrir o que exatamente deu errado no salto de Kivrin e como vão conseguir trazê-la de volta, mas Badri está incapaz de fornecer qualquer informação. Em meio a suas preocupações, Dunworthy ainda precisa lidar com sineiras, com Finch (que parece não conseguir fazer nada sem seu conselho), e com o pequeno e intrometido Colin, sobrinho de sua amiga Mary, que veio passar o natal com ela.

Connie Willies poderia facilmente se perder em meio a tantas informações e personagens, mas isso não acontece, felizmente. Ela tem total controle de sua história, e é perceptível o quão profunda foi a sua pesquisa, principalmente para narrar os eventos da Idade Média. Os personagens, todos eles, têm seu lugar na história, mesmo aqueles com os quais não simpatizamos ou aqueles que aparecem esporadicamente na história. Tudo vai se conectando aos poucos, de forma que o leitor precisa estar muito atento, o que é fácil porque a história é ótima.

A autora consegue trazer ainda importantes reflexões sobre vida e morte, sobre se nós realmente não estamos na época em que deveríamos estar. Como os costumes de uma época podem interferir fortemente na vida das pessoas, com meninas jovens prometidas em casamentos a homens obscenos, com mulheres e homens e seus papéis bem definidos em determinado momento da história, com a religião e sua influência, independente do período em que se esteja. Algumas coisas mudam profundamente; outras mudam apenas a roupagem.

O livro termina com um gancho muito bom, e eu espero que os outros livros da série cheguem por aqui, e agradeço à editora Suma por ter cedido essa história espetacular.

[Resenha] A Cidade das Máscaras

10:03 0 Comments
Livro: A Cidade das Máscaras (A Biblioteca Invisível #2)
Autora: Genevieve Cogman
Editora: Morro Branco
Páginas: 400
🌟🌟🌟🌟
Sinopse: "Irene está trabalhando como espiã em uma Londres Vitoriana, coletando importantes livros de ficção para a misteriosa Biblioteca, quando Kai é sequestrado.
A origem enigmática de seu assistente significa que ele tem aliados e inimigos igualmente poderosos, e seu sequestro só pode significar uma coisa: guerra entre as forças da ordem e do caos, capaz de destruir mundos inteiros.
Para manter a humanidade longe do fogo cruzado – e salvar Kai de uma morte certa –, Irene terá que fazer aliados duvidosos e viajar até as profundezas de uma Veneza repleta de magia negra e estranhas coincidências, onde é sempre Carnaval. Lá, ela precisará lutar, mentir e chantagear seres poderosos. Ou enfrentar consequências fatais."